sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

:: FAI CHI KEI ::

Exmo. Senhor Chefe do Executivo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau,

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da RAEM,

Exmo Secretário para Obras Públicas e Transportes,

Exmo Secretário para Saúde, Cultura e Educação, Presidente do Instituto Cultural, Director do Serviço de Obras Públicas e Transportes de Macau, Presidente do Instituto de Habitação de Macau, Associação dos Arquitectos de Macau, Associação para Protecção do Património Histórico e Cultural de Macau

Numa cidade, classificada como património mundial da Unesco, o governo quer demolir um edifício emblemático da arquitectura do séc. XX, galardoado com a Medalha de Ouro da ARCASIA (Architects Regional Council of Asia), o maior prémio de arquitectura da Ásia.
Os edifícios de Habitação Social e espaços públicos do FAI C
HI KEI, da autoria do Arquitecto Manuel Vicente com a colaboração do Arquitecto Paulo Sanmarful, desenhados em 1979 e construídos em 1981, são comprovadamente, a obra de Arquitectura, no domínio da habitação social, mais importante de Macau e uma das mais importantes, das realizadas no Século XX em todo o sudoeste asiático.

Esta obra resultou de uma distribuição de encomendas públicas pelo Governo de Macau, através da então Associação dos Arquitectos de Macau, pelos arquitectos que, à época, trabalhavam naquele território. Se a obra é exemplar do ponto de vista da sua inegável qualidade arquitectónica, reconhecida a nível internacional, o processo que ditou essa encomenda pública também o será, pela inclusão e abrangência como o Governo de então a decidiu distribuir.
Os edifícios de Habitação Social do FAI CHI KEI representem um dos pontos mais relevantes da arquitectura macaense, fazendo uma síntese entre uma arquitectura manifestamente inserida nos movimentos internacionais e um forte entendimento dos costumes e usos locais (nomeadamente, ao nível da ocupação e fruição dos espaços colectivos quer interiores, como sejam as galerias e escadas de acesso ou os pequenos átrios entre as habitações, quer exteriores, como a grande Alameda ajardinada entre os dois blocos ou a engenhosa solução viária que faz passar o trânsito sob o construído, pelo lado de fora, libertando ainda espaço para um corpo de lojas recatadas que vêm dar vida à referida Alameda).
É reconhecida pelos arquitectos que actuam e trabalham no território como uma obra de referência, tendo colocado Macau no mapa internacional da Arquitectura em finais dos anos oitenta, através da sua publicação em revistas da especialidade como a L’Architecture d'Aujourd'hui, entre inúmeras outras revistas e livros de arquitectura internacionais e portugueses.
Em 1995 a obra de Habitação do FAI CHI KEI recebeu a Medalha de Ouro da ARCASIA (Architects Regional Council of Asia), o prémio mais prestigiante da região do sudoeste da Ásia, e foi exposta em inúmeras exposições entre Lisboa, Hong Kong e Macau, tendo sido recentemente exposta na Trienal de Lisboa de 2007.
As notícias vindas a público em que se dá conta da intenção do Governo da RAEM, através do Instituto da Habitação local, de demolir esta obra, coloca a questão da pertinência da manutenção de um património cultural específico ao território de Macau, que, neste caso, não é só cultural. E quando dizemos cultural queremos também dizer social e antropológico. A sua substituição por prédios em altura de alta densidade, ao atrofiar o espaço público e banalizar a paisagem urbana naquela zona de Macau, acentuaria uma visão estritamente utilitarista da cidade em detrimento de uma visão qualificadora, ou de permanente requalificação do espaço público. É um facto que, dada a sua idade, o complexo do FAI CHI KEI precisa de ser requalificado, tanto em termos construtivos como na sua integração com as realidades urbanas que se transformaram desde a sua construção inicial, quando se apresentava como uma peça isolada sobre um istmo do Porto Interior. Esta requalificação implicará um estudo acertado e sério sobre uma área hoje extremamente congestionada na qual são edifícios como este que ainda permitem que a cidade se ligue entre as suas várias escalas e densidades.
Por todas estas razões é essencial a manutenção e a recuperação do complexo do FAI CHI KEI, como um exemplo de uma tipologia de habitação de sucesso, onde, para além do espaço privativo do fogo, foi dada uma atenção especial às áreas públicas e semipúblicas potencializando-as como locais de encontro e vida urbana.
Os abaixo-assinados vêm por esta forma exigir que o edifício em questão não seja demolido mas, ao invés, seja reabilitado, honrando, assim, o prestigiado título que a cidade poderia ostentar de Património da Humanidade.


O link para assinarem a petição está aqui

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