sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

:: E agora o meu porquê ::

Há exactamente um ano estive em Macau. Fiquei completamente apaixonada pela cidade, de tal forma que quero muito voltar um dia.

Para mim o encanto de Macau reside exactamente na sua arquitectura e urbanismo, na mistura de estilos que encontramos empoleirados uns nos outro. A diversidade em Macau é um dos seus maiores tesouros.
De certo que alguns poderão achar estranho este meu comentário, uma vez que muitas das imagens que nos chegam de Macau são de um território densamente povoado, com edifícios altíssimos a parecerem gaiolas e com os casinos como pano de fundo. Isso é verdade! Mas Macau não é só isso. No meio dessas gaiolas depara-mo-nos com jardins lindíssimos, quarteirões fantásticos, a calçada portuguesa, templos budistas, templos taoístas, igrejas setecentistas...
Lembro que a zona de Macau que mais gostei foi a zona do Largo do Lilau, onde a arquitectura modernista e colonial portuguesa assume um importante papel. Mas o Lilau e a sua envolvente despertam em nós sentimentos opostos. Se por um lado a arquitectura ali presente nos deixa com um sorriso nos lábios, logo a seguir a tristeza e desilusão enche-nos o espírito por constatarmos o estado de degradação e abandono dos edifícios.
Ao perguntar na altura aos amigos da Dri que estavam connosco, arquitectos e outros residentes em Macau desde sempre, o porquê daquele estado de conservação, a resposta foi quase imediata - o governo deixa apodrecer, para depois, com justificação, poder demolir sem causar polémica, para depois construir novo e grande...muito grande. Desta forma consegue 2 coisas: lucro imobiliário e fazer desaparecer de forma subtil a presença portuguesa em Macau, coisa que em outros locais de Macau vai ser impossível, como no Largo do Leal Senado ou as Ruínas de São Paulo. Opta-se então por zonas menos turísticas e mais residenciais, como é o caso do bloco habitacional de FAI CHI KEI.
Não é só por FAI CHI KEI que assino a petição, é por todos os outros FAI CHI KEI que ainda existem em Macau e que aos poucos se deixarmos vão desaparecer por baixo de torres de 25 andares ou mais.

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